Natividade da Serra, domingo, 05 de Setembro de 2010, 05:50
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Em 1821, quando Gaspar Nunes, sua esposa Maria da Conceição Nunes e seus filhos José Bernadino, João Batista Nunes, Manoel Messias Nunes, Luís Gerônimo Nunes, Francisco Gaspar Nunes e duas filhas menores Ana e Florinda, vindos da antiga freguesia de Santo Antônio da Barra do Parahybuna, hoje cidade de Paraibuna, se tranferiram para terras perto dali, e deu-se ínicio assim a um pequeno vilarejo.

Nessa ocasião, espalhou-se a notícia na freguesia, que pouco distantes de Paraibuna, às margens do rio Paraibuna, num lugar denominado hoje de Bairro Alto, seria concedida gratuitamente glebas de terra para quem fossem desbravadas e cultivadas.

Habitavam ali além dos pouco moradores e dos índios da região, um homem de vida santa, a quem o chamavam de “Monge”, um possível jesuíta.

Após a instalação da família de Gaspar Nunes em 1822 nas terras concedidas perto da serra do mar, deu-se início a exploração e a desbravação do local.

Conta-se que numa dessas andanças pela mata, enquanto fazia uma “picada” perto do vilarejo, Gaspar Nunes foi surpreendido com o encontro de uma pequena estátua de Nossa Senhora esculpida em madeira.

No local encontravam-se ainda vestígios da escultura. Supõe-se que a estátua fora esculpida pelo Monge, única pessoa que ali tinha acesso.

Gaspar Nunes, satisfeitíssimo com o feliz e extraordinário achado, com respeito e veneração, conduziu a estátua para a sua casa, colocando-a sobre uma mesa que passou a servir de altar de sua devoção (orações matinais e à noite o terço a Nossa Senhora).

Quando ausente, entretido nos seus trabalhos de campo, as meninas menores, inocentemente tiravam a imagem da mesa e brincavam com ela, como se fosse uma boneca, o que muito as alegrava fazendo-as felizes em tão remota quão isolada morada.

Um dia porém, ao chegar Gaspar Nunes do seu trabalho surpreendeu-as nesta brincadeira, que se para elas inocentes era pura brincadeira, para ele, homem simples e devoto, parecia-lhe profanação.

Escandalizado, sentindo-se desmoralizado na concepção de homem simples, mas puro, resolveu em um momento de irreflexão atirar a imagem no rio que passava próximo à sua casa.

Passado que foi este estado de desespero, arrependeu-se do que fizera, porém tarde demais, a imagem já desaparecera levada pela correnteza das águas.

Decorridos alguns tempos, resolveu voltar ao seu sítio em Paraibuna, sítio Barra do Rio Paraitinga, aonde ao chegar foi acometido por uma enfermidade, que o prostrou de cama por mais de um mês. Numa tarde, suas filhas foram colher abóbora numa roça próximo ao Rio Paraibuna e encontraram ao lado de um pé de milho tombado a imagem que seu pai seis meses antes atirara ao rio e isto a 48 quilômetros adiante, intermeado por inúmeras cachoeiras e matas virgens.

Esta estátua, apesar do tempo decorrido e da distância percorrida conduzida pelas águas, encontrava-se limpa e perfeita como se estivesse sempre no altar.

As meninas, alegres com os corações a palpitar pelo encontro da “sua imagem” que na inocência santa das crianças julgaram ser uma boneca, levaram-na para casa e pedindo perdão ao pai entregaram-na.

Gaspar Nunes vendo no acontecido um milagre, fez uma promessa de que logo que se restabelecesse da enfermidade que o retinha acamado voltaria ao Bairro Alto e lá construiria uma Igreja, onde seria colocada a Imagem de Nossa Senhora. Logo que se refez, dirigiu-se ao Bairro Alto, dando logo início à construção da igreja preparando antes um altar digno para a imagem já considerada milagrosa, onde passaram todos a fazer suas orações.

“Uma noite, estando a família reunida rezando o terço, a imagem caiu do altar. Com todo respeito reconduziram-na ao seu lugar, recomeçando a rezar”.

Recolocada fora no altar, sem justificativa, retorna a cair. Assustados e tremendo, colocaram-na no altar. Assombrados pelo que presenciaram e trêmulos, se dirigiram à janela e viram então os índios com as tochas acesas para incendiarem as casas do vilarejo.

Com algumas dificuldades, conseguiram dispersar os índios e dominar o fogo que então já se iniciara. Gaspar Nunes cumpriu sua promessa, pois em 1825 foi a igreja inaugurada e em 1830 foi consagrada Matriz da Paróquia do Bairro Alto.

Depois de 86 anos, ou seja, em 1911 foi demolida para que em seu lugar fosse construída a atual Igreja Matriz, inaugurada em 1919 pelo vigário de Natividade da Serra.

Em 1915, Luiz Gerônimo, neto de Gaspar Nunes, residia às margens do Rio Paraibuna e tinha em sua sala um quadro com a gravura de Nossa Senhora da Conceição, ou seja, cópia fiel da imagem de Nossa Senhora, atirada às águas por seu avô e milagrosamente reencontrada.

Numa noite em que chovia torrencialmente, o rio encheu tanto que extravasando atingiu sua casa carregando-a na fúria da correnteza, não havendo tempo de salvar nada que dentro se encontrava, indo tudo por água abaixo.

Decorridos oito dias, voltando as águas ao seu nível normal, Luiz Gerônimo percorrendo à margem do rio viveu a maior surpresa de sua vida, vendo num retângulo de lama seca o quadro de Nossa Senhora, perfeita como se encontrava em sua sala, o que seria possível só pela manifestação de mais um milagre.

Mais tarde, com construção da barragem de Paraibuna, ocorreu a desaparecimento da velha vila do Bairro Alto. Hoje a nova vila que tem vista para a represa, oferece aos moradores e turistas muito verde e uma maravilhosa vocação turística. A vila conta com bares, padarias e mercadinhos além de uma lanchonete onde servem comida caseira.

Próximo dali, fica o Hotel Fazenda Santa Rita, com toda a infra-estrutura para o turista. Na propriedade está a Cachoeira dos Martins, para banhos e prática de rapel. Antigas trilhas de tropeiros, são feitas por guias do hotel, para levar turistas até a Praia da Mocóca em Caraguatatuba.

O percurso é de 9 horas, sendo 50% pelo Parque Estadual. O empreendimento tem ainda um florestamento de pinus, com destaque para a produção da resina, que é exportada para produção de tintas, incenso e perfumes.


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